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domingo, 10 de janeiro de 2010

Trade-offs of an Expat

Palavras em inglês povoam o mundo corporativo quase tanto quanto os senhores engravatados em seus ternos escuros. Duas palavras deste dicionário são trade-off e expat, a primeira se refere à troca intrínseca à toda decisão que se toma, o ganha-e-perde de qualquer escolha, e a segunda é a abreviação de expatriate, os expatriados, como são chamados os executivos que saem de sua terra natal para viver em outros países a trabalho.

No último dia 3 no caderno de empregos de O Globo foi publicada uma reportagem chamada “Trabalho Nômade” na qual o assunto central era a exigência de muitas empresas pelo trabalho fora do seu país de seus executivos, a tal expatriação.

As empresas entendem que a flexibilidade, capacidade de adaptação e compromisso exigidos do funcionário nesse processo são benéficos para o resultado de seus negócios. O trade-off para a empresa é que esse processo custa caro, envolve além do pacote normal de todo funcionário, pagamentos de aluguel, escola para as crianças, carro e passagens aéreas para toda a família.

Pelo lado do executivo, a troca seria: recebem-se novos desafios, oportunidades e aprendizado e perdem-se hábitos, rotinas e o convívio de família e amigos. O final de ano para todo expat é o período de matar as saudades, o interesse não é conhecer novos lugares, fazer novas aventuras e sim gozar dos sabores de casa, ouvir as novidades, e trocar afeto e carinho ao reunir a tribo.

Com as baterias recarregadas eles partem de volta às suas missões, espalhados pelo mundo, levando por aí a nossa brasilidade, nossos costumes, nossas riquezas e nossas imperfeições.

Içar as velas, marinheiros!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Uma questão de autoridade

Internet e liberdade de imprensa no nosso dia-a-dia, “empregabilidade” e liderança nas empresas, variedade de ofertas e forte concorrência na economia, países cada vez mais diversos e democráticos... E tem gente que ainda acredita na força da autoridade!

O Pai que educa na base “da porrada”, o chefe que “toca o terror”, o policial que usa força bruta, o funcionário público que intimida e o político que pergunta “Sabe com quem você tá falando?”. Traços de épocas passadas, de uma sociedade que ainda traz esses maus hábitos e se esforça para soltar-se destas amarras.

O poder que vem de uma condição de superioridade é cada vez mais mal visto quando usado com truculência, na base da intimidação e da prepotência.

Em tempos de Youtube e Facebook, quando uma empresa usa seu poder não dando uma resposta a um consumidor insatisfeito, vídeos com sátiras e comunidades “Eu odeio a empresa tal” vão ao ar, ganham força e audiência. Também pela internet e pelos amiguinhos com pais mais sintonizados aos tempos de hoje, o filho descobre que há respostas diferentes do “Porque não!” que escuta em casa. Com as investigações jornalísticas, câmeras escondidas e gravadores, o serviço público tem que ajustar-se finalmente ao nome que lhe cabe, e bem servir seus cidadãos. O chefe que fala "Manda quem pode, obedece quem tem juízo!" vai aprender da maneira mais difícil, que estamos na era da liderança, quando times mais comprometidos e dinâmicos deixarem o seu para atrás.

Ninguém está falando em anarquia! Regras, limites e hierarquias são as bases para uma boa convivência em sociedade, que ganham novos aliados como a transparência, a liberdade de escolha e o respeito à diversidade. E estes são os tempos modernos em que vivemos, gostem ou não, são as novas regras do jogo e não há volta atrás.

Uma empresa, um chefe, um pai, precisa respeitá-las para ser bem sucedido seja lá qual for seu objetivo, e assim quem sabe ganhar a tão sonhada admiração de seus consumidores, colaboradores ou daquele que ainda tem alguns dentes-de-leite para cair que acaba de fazer tudo errado.